Uma preguiça insana submete minha escrita ao silêncio. Não porque exista uma preguiça propriamente dita, mas considero um imenso desperdício lançar palavras sentidas ao mundo que mal compreende a si. Escrever, para mim, é uma arte insólita. Revelar-se por meio de palavras é um tanto desconfortável.
Não gosto de escrever porque sou um tanto egoísta. Gosto de fazer, de produzir pensamentos e conhecimento como as índias parem seus filhos: solitário, com a dor irradiando na alma toda, mas num sossego de poder gritar sem que o mundo te possa ferir ou questionar.
Detesto as invasões. Em especial aquelas anunciadas pelo sentimento de estranheza que as pessoas geralmente fazem quando você se encontra tranquilo, alegre ou triste, e decide se revelar por um texto, seja ele um choro ou uma fala imprecisa.
Não gosto de escrever.E não preciso prestar contas ao mundo de minha consciência sobre o mundo das coisas. Mesmo que, caro - possível - leitor, minha prolixidade ou minha verbosidade um tanto bacharelesca seja um tanto contraditória, não se engane: ela muito mais esconde que revela. Pois, para mim, escrever não é elucidar. É anunciar um novo mistério de um mundo dialético, que se chama ser humano.