"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos." Clarice Lispector

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’ Frase do suicida Vinícius Gageiro Marques

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sobre a insólita arte de escrever

Uma preguiça insana submete minha escrita ao silêncio. Não porque exista uma preguiça propriamente dita, mas considero um imenso desperdício lançar palavras sentidas ao mundo que mal compreende a si. Escrever, para mim, é uma arte insólita. Revelar-se por meio de palavras é um tanto desconfortável.
Não gosto de escrever porque sou um tanto egoísta. Gosto de fazer, de produzir pensamentos e conhecimento como as índias parem seus filhos: solitário, com a dor irradiando na alma toda, mas num sossego de poder gritar sem que o mundo te possa ferir ou questionar.
Detesto as invasões. Em especial aquelas anunciadas pelo sentimento de estranheza que as pessoas geralmente fazem quando você se encontra tranquilo, alegre ou triste, e decide se revelar por um texto, seja ele um choro ou uma fala imprecisa.
Não gosto de escrever.E não preciso prestar contas ao mundo de minha consciência sobre o mundo das coisas. Mesmo que, caro - possível - leitor, minha prolixidade ou minha verbosidade um tanto bacharelesca seja um tanto contraditória, não se engane: ela muito mais esconde que revela. Pois, para mim, escrever não é elucidar. É anunciar um novo mistério de um mundo dialético, que se chama ser humano.