"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos." Clarice Lispector

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’ Frase do suicida Vinícius Gageiro Marques

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Educando-(se ou nos?) Parte I



Professor contra aluno???

É bastante comum ver em sala de aula uma relação professor/aluno nem um pouco amistosa. Talvez possa ser culpa de ambos, mas falta em muitos profissionais da educação a consciência de que a tarefa de educar para a vida começa neles mesmos. Recebe-se na escola todo tipo de clientela. Da mais cordial com pais presentes até a mais mal-educada com família distante.

O professor pode ausentar-se desse fato e tratar todos os alunos como se fossem os mesmos, sem respeitar seus desafios e ignorar seu comportamento como resposta ao desafio de sua própria existência?

Não é uma boa saída pois, antes de tudo, até mesmo o aluno mais mal-educado, turrão e briguento, busca no professor um amigo, com quem possa partilhar – talvez – um pouco de sua própria vida, muitas vezes misteriosa, e por isso mesmo, insegura.

Sou educador e não vejo isso como um romantismo, mas como oportunidade transformadora na vida de ambos. E o melhor disso tudo é que eu, em minha sala de aula, não preciso representar para meus alunos. Sou quem sou, sem máscaras. Humano, porque tenho família, amigos, gosto de chope no fim de semana, às vezes adoeço, já fiquei sem dinheiro na carteira e choro por amor também. Assim como eles. Altero pouco o mundo deles, mas estou sempre presente e posso oferecê-los mais uma alternativa.

Acredito que assim também posso fazer com que eles tenham autonomia em suas próprias vidas, e que também tenham responsabilidade em suas escolhas, assumindo as conseqüências. Não sei, simplesmente, ser educador de outra forma. Eles são extensão minha e não me sinto realizado tolhendo seus pensamentos e ignorando suas realidades.

Oceanus das Correntezas

domingo, 10 de janeiro de 2010

Oráculo Titânico I: Ponthos, o conselheiro

Amigo Oceanus das Correntezas, aquele que tem controle total sobre o Mar para criar o controle das Marés, Ondas, Vórtices e Correntes Marítimas e o despertar de monstros marinhos... Águas que simboliza a dinâmica da vida. Nascimento, renascimento e transformações... Águas em movimentos, o Mar representa uma transição entre as possibilidades em formar as realidades configuradas em uma situação de ambivalência, que é denominação de incerteza e dúvida de indecisão pois pode se concluir do bem ou mal, ou seja, ao mesmo tempo é a imagem da vida e a imagem da morte.

Ponthos deseja a você acima de tudo, pureza de coração... Que você possa se fazer renascer nesse dia uma nova criança com o espirito puro e belo que elas têm... Desejo êxito na sua caminhada e que você continue tendo essa força de renascer e de dar vida para aqueles que mortos se encontram... Felicidades meu amado amigo! Nos vemos no Labirintos de Chronos...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Literaturando...

Partida


Prometi conceder em tua presença

Todo o amor contido nesta vida

Mas, ao sentir tua amarga ausência

Chora minh'alma tua doce despedida


Chora triste minha turva visão

As indeléveis lembranças de nosso conjugado tempo

De sonhos e poesias em cada estação

Vividos com ternura, felicidade e invento


Mas, em nossa existência tudo finda

Dissolve-se em doloroso e sentido pranto

Em não saber o dia de tua vinda


Partiu-se um maravilhoso encanto

Uma partilha terna e linda

De vida, de sonhos, de amor e tanto.


Oceanus das Correntezas

Um olhar sobre a fé e a esperança na parábola do Bom Samaritano

Ao ler uma das parábolas mais conhecidas do Novo Testamento, pode-se ver que, comumente, questões mais profundas que envolvem a caridade passam despercebidas por muitos. No Evangelho segundo São Lucas, capítulo 10, versos de 25 a 37, nota-se a observância quase que exclusiva do samaritano, que amou sem medida aquele que estava quase morto no meio de sua caminhada, contrapondo-se aos outros viajantes que o rejeitaram, pela ponderação da possível contaminação, que os evitaria de exercer suas funções na comunidade judaica.

Mas, direcionando um pouco de atenção à vítima no caminho, o que se pode dizer sobre ela? Pouca coisa, num primeiro momento. Afinal de contas, sobre uma pessoa desconhecida, que passava por um lugar tortuoso tracejado pela marginalidade, e que acaba no abandono provocado pela perfídia de ladrões, pouco se pode dizer. Todavia, apuradamente, o vitimado passa a ter papel fundamental dentro da parábola.

Isso porque o amor incondicional, em seu exercício pleno, efetivo e transformador, precisa correlacionar-se com as outras virtudes teologais, no caso a fé e a esperança. Manifestam-se as três em função do próximo – plésion (amigo em português) – o não-eu, aquele diferente de mim, mas revestido da mesma humanidade e do mesmo “merecimento” de ser amado por Deus.

Precisa- se de um que precise de ajuda, movido pela esperança, manifestada pelo “eu decido esperar”, pela paciência e pela abertura de coração. O outro que não se ausenta da audição do próprio Deus, voz da consciência que sempre lembra nossa condição humana, sempre em meio aos desafios da própria existência. E que passa também pela experiência da caridade.

Resumindo: a fé (audição absoluta) fundamenta a esperança (recitação, expectância) quanto o amor (decisão). O amor é a atitude transformadora das outras duas. E a esperança é o que faz os outros dois consumarem-se até o fim.

Portanto, fazemos um exame de consciência: deixamos mesmo que essas três virtudes vivam em nós? Sejamos humildes e reconheçamos nossa condição. Somos humanos e precisamos do outro. Em especial, para que reconheçamos nele sua importância em amalgamar as virtudes teologais em nós.