
Professor contra aluno???
É bastante comum ver em sala de aula uma relação professor/aluno nem um pouco amistosa. Talvez possa ser culpa de ambos, mas falta em muitos profissionais da educação a consciência de que a tarefa de educar para a vida começa neles mesmos. Recebe-se na escola todo tipo de clientela. Da mais cordial com pais presentes até a mais mal-educada com família distante.
O professor pode ausentar-se desse fato e tratar todos os alunos como se fossem os mesmos, sem respeitar seus desafios e ignorar seu comportamento como resposta ao desafio de sua própria existência?
Não é uma boa saída pois, antes de tudo, até mesmo o aluno mais mal-educado, turrão e briguento, busca no professor um amigo, com quem possa partilhar – talvez – um pouco de sua própria vida, muitas vezes misteriosa, e por isso mesmo, insegura.
Sou educador e não vejo isso como um romantismo, mas como oportunidade transformadora na vida de ambos. E o melhor disso tudo é que eu, em minha sala de aula, não preciso representar para meus alunos. Sou quem sou, sem máscaras. Humano, porque tenho família, amigos, gosto de chope no fim de semana, às vezes adoeço, já fiquei sem dinheiro na carteira e choro por amor também. Assim como eles. Altero pouco o mundo deles, mas estou sempre presente e posso oferecê-los mais uma alternativa.
Acredito que assim também posso fazer com que eles tenham autonomia em suas próprias vidas, e que também tenham responsabilidade em suas escolhas, assumindo as conseqüências. Não sei, simplesmente, ser educador de outra forma. Eles são extensão minha e não me sinto realizado tolhendo seus pensamentos e ignorando suas realidades.
Oceanus das Correntezas