"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos." Clarice Lispector

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’ Frase do suicida Vinícius Gageiro Marques

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um olhar sobre a fé e a esperança na parábola do Bom Samaritano

Ao ler uma das parábolas mais conhecidas do Novo Testamento, pode-se ver que, comumente, questões mais profundas que envolvem a caridade passam despercebidas por muitos. No Evangelho segundo São Lucas, capítulo 10, versos de 25 a 37, nota-se a observância quase que exclusiva do samaritano, que amou sem medida aquele que estava quase morto no meio de sua caminhada, contrapondo-se aos outros viajantes que o rejeitaram, pela ponderação da possível contaminação, que os evitaria de exercer suas funções na comunidade judaica.

Mas, direcionando um pouco de atenção à vítima no caminho, o que se pode dizer sobre ela? Pouca coisa, num primeiro momento. Afinal de contas, sobre uma pessoa desconhecida, que passava por um lugar tortuoso tracejado pela marginalidade, e que acaba no abandono provocado pela perfídia de ladrões, pouco se pode dizer. Todavia, apuradamente, o vitimado passa a ter papel fundamental dentro da parábola.

Isso porque o amor incondicional, em seu exercício pleno, efetivo e transformador, precisa correlacionar-se com as outras virtudes teologais, no caso a fé e a esperança. Manifestam-se as três em função do próximo – plésion (amigo em português) – o não-eu, aquele diferente de mim, mas revestido da mesma humanidade e do mesmo “merecimento” de ser amado por Deus.

Precisa- se de um que precise de ajuda, movido pela esperança, manifestada pelo “eu decido esperar”, pela paciência e pela abertura de coração. O outro que não se ausenta da audição do próprio Deus, voz da consciência que sempre lembra nossa condição humana, sempre em meio aos desafios da própria existência. E que passa também pela experiência da caridade.

Resumindo: a fé (audição absoluta) fundamenta a esperança (recitação, expectância) quanto o amor (decisão). O amor é a atitude transformadora das outras duas. E a esperança é o que faz os outros dois consumarem-se até o fim.

Portanto, fazemos um exame de consciência: deixamos mesmo que essas três virtudes vivam em nós? Sejamos humildes e reconheçamos nossa condição. Somos humanos e precisamos do outro. Em especial, para que reconheçamos nele sua importância em amalgamar as virtudes teologais em nós.

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