"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos." Clarice Lispector

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’ Frase do suicida Vinícius Gageiro Marques

domingo, 18 de julho de 2010

No silêncio, somos agraciados ao ouvir a voz de Deus

Talvez a pergunta que mais nos incomode, pois nunca temos uma resposta pronta e definitiva seja: “Qual o sentido de minha vida?” Não sabemos ao certo, até porque não temos a sabedoria de perguntar para a pessoa certa. Muito menos temos a paciência para descobrir dentro de nós mesmos a tão difícil resposta.
Mas esta leitura do livro de Samuel, precisamente no capítulo 3, vem informar como Deus procede em seu chamado a nós e como devemos agir com Ele.
Para começar, vamos a um retrospecto. Samuel, cujo nome deriva de "Seu nome é Deus”, ou "Nome de Deus", tem significado contextual de "do Senhor o pedi". Isso porque Ana, sua mãe, não podia ter filhos. Humilhada pela outra esposa – Penina - de seu marido, Elcana, resolveu pedir um filho ao Senhor, sob a promessa de o nascido filho ser um nazireu e servir ao templo. Mesmo questionada em sua oração, Ana não hesitou em prosseguir na oração e perseverou até que Deus concedeu a ela um filho, e lhe pôs o nome de Samuel.
Ana cumpriu o que prometeu, mas não tinha ainda a noção da grandiosidade dos projetos de Deus na vida de Samuel e do povo de Israel como um todo. O futuro profeta acompanhada o levita Eli nos serviços ao templo.
Num dia, no silêncio da noite, Deus fala com Samuel. Por incessantes três vezes, até que Samuel reconhece a voz do Senhor. E Deus revelou não só a si mesmo, como também os seus projetos para o povo de Israel. Samuel ouviu, acolheu a Deus e assumiu a responsabilidade de ser profeta ungido do Senhor, com humildade e coração decidido.
A vida de Samuel ilustra a nossa conversão. A revelação nos é predisposta por Deus em todos os dias de nossas vidas. O fato é que nunca silenciamos o suficiente para ouvir com sinceridade o que Deus quer de nós, e sempre renunciamos acolher com humildade as maravilhas dos propósitos de Deus para cada um.
Preferimos os barulhos do cotidiano que por si só são confusos, nada nos dizem e que apenas palpitam, nunca nos dão certezas.
Ouvir a voz de Deus é muitas das vezes ir de encontro com a nossa mais dura verdade e receber o convite da transformação do Senhor em nosso viver. Também é admitir que nossa vida não é nossa, mas ela deve estar a serviço a Deus no próximo.
Precisamos silenciar. Abrir nossos corações para as revelações que o Senhor tem a nos dar, sem reservas.
Esse instante em que Deus dialoga conosco pode ser um divisor de águas na vida de cada um; ela pode ser transformada por Seu amor infinito e incondicional.
E aí encontraremos a resposta para nossa maior pergunta, relacionada acima em nossa discussão. Se alguém inventou algo, e este for dado a você, não pergunte como funciona a outra pessoa, que pode te responder livremente com palpites do tipo: “Engole!”, “Amarre em seu sapato!”, ou ainda “Sei lá! Talvez, coloque num liquidificador e faça uma vitamina!”. A melhor pessoa que pode esclarecer o funcionamento do objeto é o próprio inventor.
Conosco é a mesma coisa. Somente podemos saber do real motivo de nossa existência se perguntarmos para o nosso Criador: o próprio Deus. E somente saberemos disso quando nos dispusermos a Ele, abandonando nossos (pre) conceitos, vontades, esvaziando de nós mesmos, ouvindo e acolhendo a Sua Palavra de Salvação para todos nós.

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